Enfermagem na Santa Casa

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Enfermagem na Santa Casa

Nos primórdios, a prática da Enfermagem, na Santa Casa, era realizada por profissionais sem formação específica. Os auxiliares que prestavam serviço, socorrendo doentes no atendimento de qualquer natureza, usufruíam apenas do conhecimento empírico.

No século XIX, as fontes históricas da Instituição refletem essa realidade, como é o caso do Relatório da Provedoria de 1855, em que o então Provedor Jose Rodrigues Fagundes expõe a situação do corpo clínico na época:

Os enfermos são socorridos por três professores, contratados especialmente para este fim, e o serviço das enfermarias é feito por um 1° enfermeiro, por um ajudante deste e por serventes, além de um 5° enfermeiro, que somente se ocupa com os curativos dos enfermos de cirurgia na enfermaria dos homens; por uma enfermeira e as serventes necessárias na enfermaria das mulheres. O estabelecimento está bem servido com o 1° enfermeiro Antônio Ferreira de Lacerda, porque além de muita prática e atividade, nunca abandona nem relaxa o cumprimento de seus deveres, e não o está menos com o 3° enfermeiro João Bekman, que lhe corresponde somente tratar dos enfermos de cirurgia, onde foi recolhido como enfermo e ainda o é, passando depois a servir de enfermeiro de cirurgia. O 2° enfermeiro Antônio Inácio, ainda que tenha bons desejos, pouco pode fazer, por sua avançada idade por isso mesmo e pela falta de habilitações, não pode servir para substituir o 1° enfermeiro em suas faltas, mas é lugar sempre difícil de preencher bem, por causa do pequeno ordenado. Está também o hospital muito bem servido com a atual enfermeira das mulheres, Demenciana Flora da Fonseca, que além de ser mulher capaz, ocupa-se com toda a caridade e desvelo no tratamento das enfermas a seu cargo, e no serviço da respectiva enfermaria, e nas horas que lhe restam entrega-se com algumas das serventes nas costuras do hospital.

Essa situação perdurou até 1893 quando chegaram as Irmãs Franciscanas, vindas da Alemanha. Porém, desde 1857, já eram empreendidas tentativas para trazer os serviços das religiosas para o Hospital. Em julho de 1891 o contrato foi firmado com a Ordem das Irmãs Franciscanas da Penitência e da Caridade Cristã, que já administravam em Porto Alegre o pequeno Hospital Nossa Senhora das Dores.

Em 2 de abril de 1893, em seção solene de grande concorrência de público e convidados, as religiosas começavam a assumir cargos em todos os setores da Casa, como salas de cirurgia e demais enfermarias, lideradas pela Irmã Madre Anna Moeller.

Iniciando o século XX mudou-se a maneira de pensar a Enfermagem, tanto que em 1902 surgiu o cargo de “Enfermeiro Técnico”, agregando-se aos cargos já existentes de

Enfermeiras Gerais, na época ocupados somente pelas Irmãs Franciscanas.

Com o notável desenvolvimento da ciência, o crescimento populacional e por consequência o maior número de enfermos que buscava o Hospital, a quantidade de profissionais que exercia a “ciência do cuidado” foi ficando defasada, conforme relata o Prof. Dr. Victor de Britto em 1915:

Cumpre-me ainda solicitar a atenção de V.Ex. para outra e esta de fácil remédio contra a qual de longe venho lutando o serviço a meu cargo: quero referir-me à deficiência de irmãs-enfermeiras. O meu serviço só dispõe de uma que tem sob sua responsabilidade diariamente grande número de curativos, sem falar em auxílio prestado no ato das operações […].

Frente a essa situação, somente em 1951, chegaram à Santa Casa três Irmãs Missionárias de Maria com a missão de organizar um curso para enfermeiros auxiliares. Em 4 de outubro do mesmo ano, houve a solene abertura da Escola de Enfermeiras Auxiliares, a primeira no Rio Grande do Sul, instalada no Hospital São Francisco. As professoras e alunas uniformizadas, entre elas 6 Irmãs Franciscanas, assistiram a missa de abertura e iniciaram as aulas.

A grande aceitação da comunidade hospitalar e a crescente necessidade de novos enfermeiros fizeram com que houvesse a criação de uma nova instituição de ensino de enfermagem. Sem demora, em 2 de agosto de 1955 começou a funcionar a Escola de Enfermagem “Madre Anna”.

Em 1958 houve a formatura do primeiro grupo de alunas, no mesmo ano que ocorreu a abertura do curso de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica. Essa pioneira escola, em 1972 foi incorporada à Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), dando origem ao Curso de Enfermagem existente até hoje.

Nas décadas de 1980 e 1990, abriram-se postos novos na área de Enfermagem, diante do crescimento vertiginoso do Complexo Hospitalar Santa Casa. Desde então, até os dias atuais, o quadro de funcionários da Enfermagem na Instituição é preenchido por profissionais oriundos dos cursos técnicos e faculdades que formam na área.

As primeiras enfermarias
A criação de um Hospital de Caridade em Porto Alegre data do início do século XIX, quando a única enfermaria da cidade, localizada no Alto da Bronze, tornou-se pequena para atender os doentes diante do crescimento urbano e populacional da cidade. Naquele tempo, as pessoas mais abastadas eram tratadas de suas enfermidades a domicílio, e as menos abastadas recorriam à enfermaria e, depois, à Santa Casa.

A pedra fundamental foi lançada em 1803 e a inauguração das duas primeiras enfermarias deu-se em 1° de janeiro de 1826. O status de Misericórdia foi de fato assumido com a criação da Irmandade em 1814.

Como Misericórdia, a Santa Casa de Porto Alegre cumpriu sempre uma função mais assistencial do que terapêutica, atendendo aos pobres, inclusive escravos, na doença, no abandono e na morte. Abrigava em seus muros, além dos enfermos, as crianças e os velhos abandonados, os criminosos e os doentes mentais, enfim, todos os excluídos do convívio em uma sociedade que rapidamente se urbanizava.

Em 1855 revela-se o movimento de ampliação do Hospital, com registro de cinco enfermarias constituídas. Com o passar dos anos, impôs-se a construção do 1° bloco cirúrgico, para que não se efetuasse mais as cirurgias em enfermarias. No século XX, as enfermarias passaram a receber nomes e foram separadas dos consultórios, e divididas por especialidades e gênero.

A partir da década de 1940, com o avanço da ciência médica e a ênfase nas especialidades, enfermarias ganharam novos espaços, centralizados em pavilhões ou hospitais, como a Neurocirurgia no Hospital São José, a Pneumologia no Pavilhão Pereira Filho e a Pediatria no Hospital Santo Antônio.

Na atualidade, a prática médica na Santa Casa articula-se em espaços esquadrinhados com outro formato e outra filosofia nos hospitais do seu complexo.

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